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e agora?

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"Não, eu nunca imaginaria isso. Não imaginaria que algum dia eu pudesse conhecer uma pessoa e a partir daí a minha vida mudaria totalmente. Mas ela mudou. E mudou para melhor. Você não pensa em mim na mesma intensidade em que eu penso em você, não mesmo. E ter você na minha vida foi a melhor coisa que poderia acontecer, literalmente. Eu queria estar ao seu lado agora, mais que tudo. Mas já que não estou, eu fico aqui desejando o seu bem. O seu sorriso, a sua felicidade. Porque isso é a única coisa que importa agora."

cryandlive                                                                                           Bianca Vaz.

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Olá futura eu. E então, como estamos? Será que a gente tomou as decisões certas? Será que não cansamos de perseguir nossos sonhos? A gente ainda se emociona com as mesmas coisas? Ainda gosta das mesmas coisas? Me pergunto se a gente ainda comete os mesmos erros. Ficamos ricas? Encontramos a cura pro tédio? Aprendemos a perdoar? Será que a gente tem coisas interessantes para dizer? A gente continua recebendo elogios? Será que chegamos lá? E se chegamos, o lá continua lá? Mas, o mais importante… estamos felizes? Se eu nos conheço bem, devemos estar. Onde quer que você chegue, chegue linda.A vida é bonita, mas, pode ser linda.


O BOTICÁRIO
                                           Ana Souza .

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“Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e me lembrar de você.
Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar.
Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e e-mails bonitinhos.
Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone.
Que seja doce o seu cheiro.
Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio.
Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto.
Que sejam doces suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha.
Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado.
Que seja doce a ausência do meu medo.
Que seja doce o seu abraço.
Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.



 Caio Fernando Abreu
                                     Ana Souza ;*

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O romance nos desafia a convicção, por vezes tira a paciência, e pode até nos subtrair alguns anos da vida, mas quando é que alguém, por um segundo que fosse, cogitou – a sério – viver sem ele? Nossas aspirações vão, cada vez mais, aproximando-se da realidade; a gente passa a prometer menos, mentir menos, e chega até a achar que, dessa vez, erraremos menos, por julgarmos saber onde escondem-se todas as bombas desse campo minado. Nem preciso lembrar que a única certeza no romance é a de se estar eternamente em apuros, saracoteando as pernas para não se deixar afundar totalmente no obscuro e indecifrável oceano que é a vida daquela pessoa com a qual estamos de mãos dadas.

Em apuros pois é perigoso. É perigoso porque a gente arrisca. E a gente arrisca porque quer. Ninguém nos obriga a viver o amor, mas a gente ama vivê-lo. Ninguém nos obriga a sentir as mesmas dores de novo, mas a gente se quebra em mil pedaços para sentir o prazer na cura. A gente acha que pode viver sem, mas as palavras soluçadas no fim de uma noite ébria evidenciam o que, para todos ao nosso redor, já era óbvio: estamos fodidos.

Em apuros não estou só eu, estamos todos nós, meus caros. Romance é o que se persegue pelas esquinas, que foge à luz dos postes, e ele está bem. Em perigo estamos nós, nesse apuro que reside na nossa urgência em vivê-lo. Vivê-lo, mesmo que torto, inacabado, ferido, precipitado, errado, proibido, ou impossível. Vivê-lo de verdade, com intensidade e sem escudos. Como deve ser, e como inevitavelmente é, quando nosso coração nos dá aquela única e inevitável rasteira que nos faz quicar no chão.

Viver o romance é estar em apuros.

Estou vivendo, e não quero ser salvo.


                                                                         Karol Ribeiro ;*

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Antes de nos termos encontrado, atravessava a vida sem sentido, sem razão. Sei que de alguma maneira, todos os passos que dei desde o momento em que comecei a andar eram passos dirigidos ao teu encontro. Estávamos destinados a encontrarmo-nos. Mas agora, sozinho na minha casa, comecei a perceber que o destino pode magoar uma pessoa tanto quanto a pode abençoar, e dou por mim a perguntar-me porque razão - de todas as pessoas do mundo inteiro que alguma vez poderia ter amado - tinha de me apaixonar por alguém que foi levada para longe.(Nicholas Sparks)

                                                                                                                 Bianca Vaz.

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"Eu queria ficar na varanda com ele até o sol brilhar sobre nós dois. Mas não fiquei. Eu me levantei e desci as escadas. Prefiro correr atrás do sol a esperar que ele venha incidir sobre mim."
-  Markus Zusak.
                                                               Ana Souza :*

as coisas da vida.

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Três coisas na vida que você nunca deve quebrar: Confiança, Promessas e um Coração. Quando eles se quebram não fazem barulho, mas dói muito.


                                                                         Bianca Vaz.

Peter Pan

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Peter Pan: Vivo com os meninos perdidos.
Wendy: Meninos perdidos? Quem são?
Peter Pan: São bebês que caíram de seus carrinhos. Se ninguém os procura em 7 dias, eles vão para a Terra do Nunca.
Wendy: Há meninas por lá?
Peter Pan: Não. Meninas são espertas demais pra caírem de seus carrinhos!

                                                                                   Bianca Vaz.

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Você lê e ri. Você lê e engasga. Você lê e tem arrepíos. Você lê, e a sua vida vai-se misturando no que está sendo lido. 
 Caio F.Abreu
                                                                         Ana Souza :*
                                                                    

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Há garotos que crescem achando que vão se firmar em um futuro distante, e há outros que estão prontos pra se casar assim que conhecem a pessoa certa. Os primeiros me deixam entediada, principalmente porque são patéticos; e os outros, francamente, não são fáceis de encontrar. Mas é nos sérios que estou interessada, só que leva tempo para encontrar alguém assim, e por quem eu também me interesse. Quer dizer, se a relação não consegue sobreviver a longo prazo, porque é que vou investir meu tempo e minha energia em algo que não vai durar?
A última música
                                                 Ana Souza ;*

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“Filho… você terá três tipos de pessoa na sua vida:

- Um AMIGO, aquela pessoa que você terá sempre em grande estima,
que você sabe que poderá contar sempre;
que bastará você insinuar que está precisando de ajuda
e a ajuda está sendo dada;

- Uma AMANTE,
aquela pessoa que faz o seu coração pulsar;
que fará com que você flutue
e nada importará quando vocês estiverem juntos;

- Uma PAIXÃO,aquela pessoa que você amará,
desejará incondicionalmente,
às vezes nem lhe importando se ela lhe quer ou não,
e talvez ela nem fique sabendo disso.

Mas, se você conseguir reunir essas três pessoas numa só
- pode ter certeza meu filho:  Você encontrou a felicidade.

(Augusto Schimanski - 1928/1973)
                                                        Ana Souza ;*

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V.I.D.A. = Variações Infinitas de Detalhes e Acontecimentos.
                                                 (Jô Soares)
Ana Souza ;*

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E eu, no fundo, te perdoava, te entendia, te amava cada vez mais. Você me mandou embora da sua casa, do seu carro, da sua vida, da memória do seu computador, do seu celular e do seu coração. Você me deletou. E eu fiquei quietinha, te esperando, rezando pra você ver que amor maior não tem.
Tati Bernardi.
                                      Ana Souza ;*

Depois a gente vê

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''Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.Um só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'.
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. UM DIA. Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago."

[Martha Medeiros]
                                             Carol Rodrigues ;*

Dear John

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Savannah: ‘vou sentir saudades.’
John: ‘você não parece muito triste com isso.‘
Savannah: ‘é porque já chorei por causa disso, lembra?  Além do mais, não é que eu nunca mais vá ver você. Finalmente percebi isso. Sim, vai ser difícil, mas o tempo passa rápido: vamos nos  reecontrar, eu sei. Eu sinto. Assim como sinto o quanto você se importa comigo e o quanto eu te amo. Sinto no meu coração que não acabou, e que vamos superar isso. Muitos casais conseguem. E os que não conseguem é porque não têm o que nós temos.”

Livro-Dear John
                                                                    Ana Souza. ;*

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Ela: Sabe quanto nosso amor vai durar?
Ele: Diga.
Ela: A multiplicação de todos os números do mundo! (:
Ele: Pois eu só preciso de um número pra expressar o quanto ele vai durar.
Ela: É? Qual?
Ele: Um oito de ladinho.
(∞)
Gabriela Brown

                                       Ana Souza ;*

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Eram duas da manhã quando Carol não se aguentou mais na cama. Levantou num salto e abriu o guarda roupa afim de tirar qualquer coisa para vestir e poder enfrentar a madrugada. Estava decidida, não suportava ter de continuar ali, inerte, esperando que as horas passassem, esperando um nunca mais. Enfiou-se num jeans qualquer e numa blusa. Saiu de casa no maior silêncio, levando no bolso as chaves e esperança. Correu por três quarteirões, cruzou uma avenida e percorreu mais algumas ruas, porque seu objetivo valia o esforço. Até chegar em um pequeno edifício de 3 andares. É óbvio que a porta do térreo estava trancada, mas havia luz na janela onde tantas vezes esteve sentada. Carol, não podia gritar, não podia subir, não trouxe celular. Jogou uma pedra, duas, três e não acertava. A verdade é que estava nervosa, sozinha numa rua deserta, a mercê de qualquer coisa. Na quarta ela acertou. E não muito depois, um rapaz abriu a janela.

- O que você veio fazer aqui? - ele disse arrastado, como se não quisesse perguntar aquilo.
- Eu não sei o que vim fazer. Mas sei que te amo. - ela respondeu com os olhos desmanchando-se em lágrimas.
- Poxa, Carol, porque você fez isso comigo? Porque tá fazendo com a gente?
- Eu ainda não consigo suportar a ideia, Marcos. Dói demais no meu peito saber que você vai embora tão assim. Não sei se vou suportar viver sem você.
- Carol, se convença. Eu te amo, mas não tenho como ficar aqui. Se meus pais vão, vou ter que ir. É claro que eu queria ficar com você, é claro que eu quero continuar aqui. Quero beijar você e passar tardes e tardes deitado na grama daquele parque que a gente costumava ir. Mas não dá, amor, não dá. Quando disse que não queria mais te ver, e te explique porquê, era justamente por causa disso. Eu parto daqui a algumas horas e você sabe disso. Para de machucar a gente, vai pra casa.
- Eu não vou sair daqui. - ela falou entre soluços, completamente decidida.
- Carol, é melhor a gente esquecer essa última noite.
- Como eu vou esquecer você, Marcos? você jurou que me amaria pro resto da vida, que casaríamos e que nós mesmo pintaríamos nossa casa. Fizemos planos, Marcos, fizemos planos! Você me liga a dois dizendo que vai para Bielorússia e que eu não ligasse mais pra você. Como assim vai pra outro país? Como assim não ligar mais pra você? Onde foi parar o felizes para sempre? Juro que tentei me conter, seguir o que você disse, mas não dá. o que eu sinto é amor, Marcos! Eu não posso contra isso. - Carol finalizou já em estado de desespero.
- Eu também não posso. Você acha que foi fácil dizer aquilo, com você soluçando no telefone perguntando porquê? A verdade é que eu não penso em outra coisa sem ser você. mas diz aí, o que é que a gente faz? Foge? Se revolta? Se mata? A gente tá no mundo real, Carol. Meus pais tão indo pra lá, tenho que ir também. Talvez eu volte, mas como vou saber? Iludir você e a mim fingindo que tudo vai ficar bem? A probabilidade é muito pequena. Carol, eu te amo, não duvide disso, mas vá pra casa. - ele terminou, e fechou a janela.

Carol jogou a quinta, a sexta até a vigésima pedra. E a janela não abriu, ele não voltou. E por mais que ela esperneasse, e gritasse, e chorasse, e implorasse e fizesse o que fosse naquela calçada suja, nada havia de acontecer, nada havia de mudar. Porque amores se fazem e se desmancham todas as noites. E digam o que disser, o amor é uma coisa sem porquê. 


[Texto retirado de: Contos Fraqueados, Cristiano G.]

Carol Rodrigues   . 

Tem cura ?

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"Acho que estou me especilizando em fazer inimizades, não tenho mais saco pra ninguém. É grave? Tem cura? Um dia vou ter saco outra vez?"

[Caio F. Abreu]
                                                         Carol Rodrigues.

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Esses dias eu conheci um mocinho na balada. Muito educado, gracinha, alguns anos mais jovem. A aproximação dele aconteceu de forma direta e gentil, muito bem orientada. Desde o início ele sabia o que queria e exalava a confiança (talvez proveniente da extrema beleza) de que podia qualquer coisa que quisesse… Alguns minutos conversando comigo, ele tentou um beijo. Não dei.
Não sei dizer ao certo porque sequer troquei telefone com ele. Talvez — apesar do meu desejo — eu tenha usado aquela situação pra refletir e perceber que o discurso feminista que a gente sustenta tanto, aquele mesmo da independência e iniciativa feminina, pode gerar o efeito contrário muitas vezes.
A gente estava tendo uma conversa deliciosa… Mas quando o amigo chegou com seu olhar de reprovação vc-tá-nessa-ainda e o moço se deu conta que havia passado 30, 40 minutos conversando apenas comigo em uma boate lotada de gente (leia-se muitas possibilidades) retraiu-se. Fui educada e simpática, agradeci a companhia e saí.
Por que contar essa história? Porque eu acho que toda mulher merece um cara que gaste mais de 40 minutos, insistindo, conhecendo e se deixando conhecer antes de tentar colocar a língua dentro da boca dela. Nada contra a filosofia do “ficar”… Mas é que hoje eu vejo que a nossa vida perdeu boa parte do romance. E da corte, do flerte, da conquista, da sedução… As relações são quase todas fast-foods, e a gente tem tanta fome de viver, que vai atropelando fases e vai atropelando tudo. E mata — sem se dar conta — o tempo necessário pra perceber se aquela história podia ser mais… Se o cara era legal, ou você era legal… vai saber.
Eu acho que eu tô ficando careta. Nunca achei que eu fosse dizer isso, mas tô. Acho que a gente veio “deseducando” os homens durante todo esse tempo, e deixou tudo tão fácil, tão disponível e tão acessível que matou todo o encanto…
Por que simplesmente não beijar o cara quando estiver com vontade? Por que relutar em atender a cada desejo e necessidade nossa (inclusive sexual) no instante mesmo em que elas aparecem? Afinal, não somos mulheres modernas? Respondo.

Porque depois de um tempo, a maioria de nós reclama de solidão e vazio. E não entende por que ele não percebeu que você é incrível e te convidou para a festa da empresa. E se sente abandonada, sozinha… Fazer um almoço completo, com uma salada gostosa, uma massa com molhos, temperos e a proteína escolhida, pode dar o trabalho de ir pegar os tomates frescos na feira, marinar o peixe, lavar as folhas, misturar condimentos, mas traz uma experiência e um sabor que não podem ser comparados ao de passar no drive-thru daquela loja de sanduíches e ingerir em dois minutos o cheeseburguer com bacon.
Eu não quero beijos fast-food, não quero sexo fast-food. O cheeseburguer pode ter lá o seu espaço e o seu charme, mas é barato, gorduroso, faz mal pro coração e deixa a gente se sentindo feia e inchada no dia seguinte. Como nós, os homens também querem ser sacudidos até perderem o juízo, também querem se sentir vivos. Também querem se apaixonar e — por mais que neguem — encontrar aquela que enlouquecerá suas cabeças. Me chamem de quadrada, mas eu não acho que vai ser a moça cuja língua ele conheceu antes mesmo de dar oi. A mesma moça que depois, em casa, vai ficar se perguntando porque histórias incríveis só acontecem no cinema.
(Ao moço dos olhos azuis que conheci numa noite de quarta em dezembro naquela boate do lago, saiba… eu teria dado o meu telefone a você.)
créditos: Elenita Gonçalves Rodrigues
                                                                                                            Ana Souza.

Considerações finais;

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Oito vezes. Foi a quantidade que abri a tua janela no Messenger só para olhar tua foto e absorver algumas palavras trocadas e lembrar de algumas palavras ditas e sorrir, por dentro, só pelo fato de ter te conhecido. Disse uma vez, aqui neste mesmo canto, que poderia parar apenas na troca de palavras e bastaria e hoje conto que não, que eu precisava ter descoberto você, ter tocado você. Eu precisava sentir teus olhos me analisando e precisava enxergar as estrelas no teu sorriso e rir, gostosamente, das muitas atitudes bizarras e tão espontâneas. Era fato: não tinha como ser infeliz do teu lado. Você transborda alegria, garoto, mesmo quando triste. É marca registrada tua.

Eu tentei manter o coração tranqüilo e não me apaixonar e, de início, tava tudo indo muito bem, obrigada. Mas precisava ser tudo tão perfeito, tão conto de fadas, tão tudo-que-sonhei-pra-mim? Desde que ouvi teu nome, num fevereiro tão tempestivo, sabia que, ao te conhecer, seria inevitável.  Então vesti minha armadura, fingindo não me importar, não ligar, não querer saber, por mais que cada pedacinho minúsculo do meu dia fosse recheado de você. Escondi o riso cada vez que o telefone tocava, cuidei de mim minuciosamente na expectativa de que você viria, convidaria, ou apenas ligaria para por o papo em dia e eu ia dormir arrumada, mas cheinha de você que o resto não mais me importava. Mas eu disfarçava muito bem e soube esconder muito bem.

Tive medo de me expor. De estragar tudo, de perder contato. E tentei me satisfazer com os acasos e aceitei mendigar você... Era uma forma de te ter por perto, de te ver sorrir, de te ver contar, de te ouvir cantar, mas isso foi me consumindo de tal maneira que passou a doer, garoto. Enlouquecia, sozinha, sem saber o que fazer. Precisava que você soubesse que eu estava tão-aí-pra-você como te soube, um dia, e desperdicei com meus medos bobos. E resolvi falar e sonhei que tudo ficaria bem, que era o ponto que faltava, que sequer imaginei outro rumo, outras formas, outro fim. Sequer imaginei que fim.

E vi tudo desmoronando com tanta pressa e fiquei sem entender, porque não tinha nada para ser destruído, não tinha nada que ser terminado. Eu só precisava dizer que eu estava acima do limite do gostar e que doía. Só. Não queria nada mais, não queria que chovesse como choveu a noite inteira. Mas suporto. Apesar de, eu suporto. De tudo tão vazio que ‘tá agora, de todas as lembranças que eu teimo em não guardar, de todas as músicas que escuto só para recordar, de tudo que machuca, eu sorrio até com os olhos, por ter tido o prazer (imenso) de dia ter esbarrado em você e ter podido te conhecer. Fazer parte, ainda que por pouco tempo.

Agora toca Mistaken, da Save Ferris e sou obrigada a rir. Da ironia, da coincidência, sei lá. Dane-se. O coração ‘tá tranqüilo e eu ‘tô serena, risonha e fingindo, como sempre fiz. Para perceber, é só ver os olhos, que perderam o brilho, o riso. Dentro deles, não há mais de você. E, apesar de, hoje te vejo quando me encaro no espelho, pois tive, depois de muito dizer que não, a chance de crescer. Amadurecer por dentro, amadurecer as idéias e aprender que nada deve ser calado — mas antes eu nada tivesse dito... e assim eu encerro, por um tempo ou dois tempos, esse canto aqui. Vou me dedicar ao livro, à vida. Nessas linhas, não haverá mais nada de mim. Agora virei silêncio.

Créditos: Maria Fernanda Probst
                                                                                                                                                                                  Karol Ribeiro